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Artigo - Por mais segurança na rede de energia - 22/05/2018

Artigo de DILVAR OLIVA SALLES Diretor do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape-MG) e CLÉMENCEAU CHIABI Presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape-MG), publicado no Caderno Opinião do Jornal Estado de Minas no dia 19/05/2018.

Por mais segurança na rede de energia

 

Frequentemente, em Belo Horizonte, são noticiados acidentes com queda de árvores sobre redes de distribuição de energia elétrica, ora envolvendo vítimas, ora resultando em transtornos e prejuízos materiais. O último episódio marcante foi o que ocorreu numa tarde de abril, na Rua São Paulo, no Bairro de Lourdes, onde uma árvore de grande porte tombou sobre a rede elétrica aérea de distribuição de energia, derrubou fiações, um poste de concreto e um transformador de energia. Carros ficaram completamente queimados e o estrago foi enorme, como amplamente mostrado nos veículos de comunicação e nas redes sociais. Apesar do pânico e dos prejuízos, felizmente não houve vítimas graves, embora o risco tenha sido muito elevado, por se tratar de uma região onde há grande trânsito de pessoas e veículos.

 Árvores podem tombar em função de fortes ventos e chuvas, por estarem doentes, com troncos e raízes apodrecidas, ou até mesmo pelo abalroamento de veículos. Mas, em geral, a queda de galhos ou de árvores em locais públicos é previsível e pode ser evitada com a adoção de medidas preventivas.

 Nos locais em que árvores convivem com redes elétricas aéreas de distribuição, o trabalho de inspeção, poda e corte deve ser rotineiro, periódico e programado. Infelizmente, de forma geral, ainda não há a cultura da prevenção. Não é por um acaso que estes acidentes acontecem.

 Esse cuidado evita a ocorrência de curtos-circuitos, acidentes, interrupção no fornecimento de energia elétrica aos consumidores e danos em equipamentos elétricos e eletrônicos. Os riscos tendem a aumentar nos períodos chuvosos, quando venta muito, a terra está encharcada e as árvores umedecidas. Quando tocam na fiação, os galhos podem provocar oscilações de tensão e corrente, faiscamentos, queima de aparelhos e até mesmo incêndios. 

 Para que os galhos não alcancem a rede elétrica, as espécies arbóreas devem alcançar uma altura de até cinco metros e, por isso, é importante que a arborização em áreas urbanas seja bem planejada pelo município. 

 Se, eventualmente, alguém perceber que há um fio partido na rede elétrica, deve providenciar para que o local seja isolado imediatamente, de modo a impedir que pessoas, animais e veículos se aproximem, e o fato ser comunicado à concessionária de energia, pois, em determinadas situações, o sistema de proteção pode não atuar eficientemente.

 Em centros urbanos como Belo Horizonte, que possui mais de 300 mil árvores, o ideal para as áreas de grande circulação de pessoas seria a utilização de redes subterrâneas de distribuição de energia elétrica, onde os cabos ficam isolados e protegidos, oferecendo mais segurança, prevenindo acidentes, evitando súbitas sobretensões e sobrecorrentes em equipamentos sensíveis, danos a computadores, televisores e outros aparelhos eletrônicos. Tem maior confiabilidade, independe de condições climáticas e atende questões estéticas com melhor ocupação dos espaços. 

 Apesar de o custo de implantação ser mais elevado, são muitas as vantagens, que trazem como consequência grande economia ao longo do tempo, uma vez que as redes aéreas exigem maior manutenção e estão sujeitas a um número elevado de interrupções e prejuízos. 

 No Brasil, diferentemente dos Estados Unidos e de países da Europa, ainda é bastante reduzido o número de cidades que adotam redes subterrâneas em sistemas de distribuição de energia elétrica, e, até mesmo nas capitais, a utilização delas ainda é bem restrita. Acreditamos que esse é um importante investimento para evitar acidentes nos grandes centros urbanos e uma forma de melhor administrar os gastos públicos a longo prazo.